21 junho 2009

Diploma: um sonho ferido

Quarta-feira, 17 de junho de 2009. Às 19h09. Meu celular apita. É um torpedo SMS. Leio na tela do aparelho: “Mensagem enviada por Clemerson”. O conteúdo diz: “Perdemos”.

Logo vem à mente: diploma.
O coração dispara. É difícil acreditar.

No mesmo instante, lembrei do artigo que produzi na aula de Técnicas de Redação III, ministrada pela professora Ayne Salviano. O terceiro parágrafo dizia: “Caso o STF decida pelo fim da exigência do diploma, o jornalismo estará condenado a uma ‘progressiva decadência’. O reconhecimento atribuído à profissão estará friamente ferido, sem direito a tentativas de ‘cura’.

E aconteceu. Todos nós perdemos. Os jornalistas formados e os estudantes de jornalismo perderam. Agora, a sociedade inteira também perde. Difícil controlar a tristeza. Impossível conter as lágrimas.

O fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo repercutiu, com grande intensidade, nos últimos dias. Veículos de comunicação e internautas estiveram atentos a todos os detalhes. Companheiros da faculdade demonstraram indignação e revolta em blogs, orkut e MSNs.

Sabemos que esta abertura para a prática da profissão poderá provocar um grande desastre no cenário nacional. Os oportunistas – que agora têm direito de se apresentar como jornalistas – terão ainda mais espaço para atuar, mesmo sem nenhum conhecimento sobre ética e conduta responsável.

Muitas pessoas se perguntam: “E agora, vale a pena continuar?”. Envergonho-me em dizer que eu fui uma delas. Eu pensei em jogar fora meus 2 anos e meio de curso. Eu pensei em desistir.

Chorando, eu pensava: “Não é justo gastar tanto em uma profissão que não é valorizada. Viajar todos os dias para cursar Jornalismo? Isto é loucura. Passar noites sem dormir para estudar e fazer trabalhos, para que?”.

As respostas vieram depois, frutos de muita reflexão.

Além do tempo e dinheiro, vários são os instrumentos que precisamos para concluirmos o Ensino Superior: muita leitura, exercício do senso crítico, conhecimento ético, bagagem teórica, familiarização com as técnicas, etc. Um fardo pesado que hoje carregamos, mas que, no futuro, será o diferencial.

Quando decidi cursar Jornalismo, não pensei no retorno financeiro que ele me proporcionaria, nem na grande quantidade de vagas que seriam disponibilizadas no mercado de trabalho. Aliás, isso seria mera utopia.

Optei pelo Jornalismo porque é uma profissão que me fascina. Gosto e admiro o trabalho que é desenvolvido pelos veículos de comunicação. Acredito na importância do Jornalismo para o desenvolvimento social. E não é a decisão do Supremo que irá me afastar de um sonho que estou prestes a conquistar.

Muitas empresas sérias já se posicionaram a favor do diploma e irão admitir apenas jornalistas que passaram pelos bancos acadêmicos.

Agora, mais do que nunca, devo valorizar a minha formação. O STF conseguiu ferir o meu sonho, mas não conseguiu matá-lo.

Amigos, não desistam. O Jornalismo precisa de nós!

Confira a reportagem da Agência Radioweb sobre o fim da obrigatoriedade do diploma:

5 comentários:

Rafael Lopes disse...

Olha, excelente pensamento. Não podemos desistir de nossos sonhos. Não somos reconhecidos mais pelo Governo, porém, sairemos da faculdade melhores do que entramos. Com conhecimento apurado, com técnicas para sermos jornalistas éticos e sérios.

Uma bagagem que nenhuma outra adquirá somente com a prática diária da profissão. Isto os "senhores" ministros nunca vão conseguir tirar de nós.

Abraço

Allan D' Augustin disse...

Oi Angélica tudo bem, então eu comecei ler, mas quase desisti pq é meu ultimo passei tudo isso e agora o STF faz isso, quase chorei ultimo ano de Jornalismo, mas levantei a cabeça e sei que vou conseguir...achei seu texto muito bom, continue sempre assim....
Somos bons no que fazemos...

Diuân Feltrin disse...

Revolta, tristeza, rancor, asco... Uma confluência de sensações atormentaram minha mente nos últimos dias. Estava um pouco despreocupado. Não sei se era inocência ou falta de maturidade, mas pensava que o STF não aprovaria tamanho absurdo. A sociedade sofrerá sérias consequências...
Como o próprio termo denota, os jornalistas precários passarão a dominar o mercado de trabalho, desprovidos de conceitos teóricos indispensáveis para o exercício de tão paradgmática função.
Confesso que também pensei em desistir. Tenho paixão pelas ciências humanas, poderia optar por outra graduação que me proporcionasse consistência. Mas não! Desistir é para perdedores! Durante esses dois anos e meio crescemos muito como pessoas e acredito que seremos vencedores!!! Sempre haverá espaço para os competentes!!! Não desanimem!

Cláudio Henrique disse...

Não podemos se reduzir como estes palhaços supremos. A formação ultrapassa as barreiras jornalisticas. Abraçao

Rafaela Alves e Souza disse...

Excelente artigo! Aliás, a perfeição da escrita e excelência de pensamentos são caracteristicas inerentes da autora.

Quanto ao tema, verifica-se indubitável o "jogo de interesses" que há por trás da decisão do Supremo.

Destarte, tal decisão não deve frustar os sonhos dos graduandos e graduados na área do jornalismo.

É certo que a distinção entre os que possuem o diploma dos "outros", está na "bagagem" angariada nos bancos acadêmicos e nas horas de dedicação ao curso.

Há muito para conquistar. Não desistam de sonhar!!!

"Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã". (Victor Hugo)

Parabéns Angélica!