30 outubro 2009

Mídia digital: o que dizer sobre o futuro do jornalismo?

As ferramentas digitais ganham destaque constantemente na vida das pessoas. As mudanças de hábitos em virtude da atual revolução tecnológica são evidentes. E com o jornalismo não é diferente - é imprescindível que os profissionais e respectivas mídias se ajustem à tendência.

Durante uma visita ao Portal Terra, na manhã desta sexta-feira, 30, li uma matéria interessante. O texto me fez refletir: qual tem sido o comportamento do público diante do avanço das mídias digitais e demais recursos disponibilizados na internet? quais têm sido os procedimentos adotados pelas empresas jornalísticas para atrair a atenção das pessoas? o que dizer sobre o futuro do jornalismo?

Compartilho a matéria com os leitores do Pensamentos, fatos e relatos. Não esqueçam de comentar!

Portal TERRA -
Vagner Magalhães
Direto de São Paulo


Em três dias de debates, o 3º MediaOn, maior fórum de jornalismo online da América Latina, discutiu os caminhos que as empresas de mídia terão a percorrer em tempos de revolução tecnológica e a mudança no papel que o jornalista desempenha frente ao seu público.

Com a crescente participação das pessoas nas chamadas mídias sociais, houve consenso em que mais do que relatar, os jornalistas terão de interagir com o seu público. Um dos mais críticos a esse respeito foi Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, para quem os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agir como seres humanos. "Os jornalistas online tem de encarar o leitor em primeira pessoa e dizer: 'isto nós sabemos e isto nós não sabemos'".

Outro tema abordado com frequência foi a sobrevivência da mídia em papel como ela é hoje, frente ao avanço das tecnologias digitais. Via de regra, a maioria concordou que haverá mudanças, mas nem todos apostam no seu fim a médio prazo. Porém, acreditam que o modelo de negócio passará por uma reestruturação profunda, sob o risco de sua extinção.

Veja alguns trechos de temas relevantes abordados nos três dias do encontro:

Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard - "Os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agir com seres humanos. A transição vai ser muito difícil para a maioria. Ainda temos muito a escrever, principalmente para investigar casos de corrupção. A internet treinou as pessoas para que elas recebessem as informações de uma forma social. Os repórteres tem de parar de encarar o seu público como um estorvo. Os jornalistas encaram os e-mails de um leitor como algo chato, principalmente quando endereçados ao editor. É hora de a voz institucional desaparecer. Os jornalistas online tem de encarar o leitor em primeira pessoa e dizer: 'isto nós sabemos e isto nós não sabemos'"

Marcos Foglia, gerente de novos meios do Clarín Global - "Estamos disputando o tempo das pessoas. Se elas estão fazendo uma coisa, deixam de fazer outra. Se ela está lendo um e-mail, não está navegando pelo conteúdo. É uma disputa incessante".

Altino Machado, do Blog da Amazônia - "O blog deu dimensão internacional ao meu trabalho. A internet é algo que supera fronteiras. Recebo mensagens de todas as partes do mundo. E pensar que já transmiti matérias por telex, como a da morte de Chico Mendes, em Xapuri, no ano de 1989".

Danilo Gentili, integrante do CQC - "A graça do Twitter é eu mesmo me comunicando com quem está me lendo. A partir do momento que eu ficar moderando o que está acontecendo, não serei eu verdadeiro. Eu sou uma pessoa como vocês".

Camila Menezes, coordenadora de imagem do técnico Mano Menezes - "Hoje, o Twitter do Mano é uma referência entre os jornalistas e acompanhado de perto por eles. Tenho arquivado mais de 40 matérias geradas a partir desse meio de comunicação. Ele tem mais de 1,1 milhão de seguidores na ferramenta. Meu pai não é um comunicador, mas o Twitter dele virou uma febre".

Nathalie Malinarich, editora executiva da BBC News online - "É preciso fazer um material voltado para todas as plataformas, como TV, rádio e celulares, entre outros. Nós não temos apenas os vídeos da TV. Nós criamos muito material especialmente para o site. O público tem privilegiado nosso trabalho por conta desse tipo de recurso."

Antonio Guerreiro, diretor de conteúdo do R7.com - "Eu me divertia muito quando via as definições que davam para o R7 antes de ele ir ao ar. Falavam que vínhamos para concorrer com a Globo, com o G1. Vamos concorrer com todos. A internet estimula a infidelidade e vamos brigar por esse mercado".

Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado - "O jornalismo nasceu para servir uma comunidade e alimentar ela de informação. A Internet foi feita para jornalismo, ainda que não profissional. A informação bem apurada continua sendo absolutamente necessária para que o mundo continue coeso."

Fabiana Zanni, diretora de mídias digitais da editora Abril - "Transcrever a revista para os sites não é adequado, temos de agregar conteúdo. Acreditamos que a Abril vai se fortalecer no conceito de 360 graus. No final, isso vai nos levar a uma posição de liderança e a galgar posições melhores no mercado de internet nos próximos anos".

Pierre Haski, editor chefe do site Rue.89.com - "O jornalismo passa por uma crise moral e buscamos saída para essa crise. A falta de confiança dos leitores pode ser reconstituída na internet. A conversa com eles pode melhorar isso. Nós tivemos muita sorte de ser o primeiro jornal eletrônico diário a ser publicado dessa forma e com esse tipo de pensamento na França".

Fernando Madeira, presidente do Terra América Latina - "Leva um tempo se construir uma marca. A internet ajuda a construir e destruir isso. Nós que nascemos e crescemos digitais, temos pouco apego às nossas marcas".

Silvio Meira, professor de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco - "Os jornais perceberam que precisam se adaptar de alguma maneira. Não dá mais para ficar disponibilizando conteúdo apenas no papel. As empresas tem de criar o seu DNA de adaptabilidade. Muita gente está tentando fazer coisas diferente".

André Mermelstein, diretor editorial da Converge Comunicações e responsável pela revista Tela Viva - "Banda larga (celular e internet), estão surgindo todas as novas modalidades de consumo. Esse é o futuro que teremos a curto e médio prazo".

Júlio Gomes, editor do site ESPN.com.br - "O Twitter é a nossa terceira fonte de audiência. O torcedor quer ver o jogo na TV, rever os gols na internet. Não acho que tudo vai acabar e vai sobrar só internet, mas é preciso integrar as plataformas".

Luiz Fernando Gomes, editor-chefe do diário esportivo Lance! - "O jornal terá de ser de 'amanhã' e não de 'ontem'. Ele tem de prever e analisar o que vai acontecer. Sobreviverão as empresas de comunicação que souberem se adaptar ao que o público quer, não o que a gente acha que ele quer".

José Henrique Mariante, editor do caderno de esporte da Folha de S.Paulo - "O jornalismo online é feito de colagem de outras plataformas que existem. Já é um problema na internet distinguir o que é importante ou não. É mais importante dar uma informação mais nova ou dar a informação antiga melhor?".

José Roberto Toledo, jornalista especializado em política e jornalismo de precisão - "Entre as dicas que eu posso dar está uma apuração precisa. O conceito de publicar antes não vale mais. O que interessa hoje é dar a melhor informação. Apurem bem, procurem as informações mais contextualizadas, com mais de uma fonte. A checagem ganhou mais importância nos dias de hoje".

Tiago Dória, jornalista e editor de blog sobre cultura, web, tecnologia e mídia hospedado no IG - "É preciso dominar os conceitos e não as ferramentas. Elas são um meio para ir a algum lugar. Hoje é o Twitter, amanhã é outra ferramenta. As ferramentas vão e voltam e os conceitos ficam".

06 outubro 2009

Liberdade de expressão em xeque

É comum discutir-se sobre a existência da “liberdade de expressão”. Na mídia, questiona-se com frequência os limites deste “direito”: quais as vantagens e desvantagens de tornar público um pensamento? Até que ponto considera-se positivo argumentar a favor de uma causa que defende?

Para quem busca um espaço destinado à produção textual livre, uma das ferramentas mais utilizadas atualmente é o blog. Livre de linhas editoriais e “superficialmente” distante de fiscalização, a internet oportuniza aos críticos a possibilidade de publicar seus pontos de vista.

Recentemente, o publicitário Raphael Quatrocci postou no blog “Resenha em 6” uma análise sobre o Boteco São Bento, localizado no bairro Vila Madalena em São Paulo. Com abordagem crítica, o post causou grande repercussão. Ofendido, Jonas Steinmayer, um dos proprietários do blog, deixou um comentário com característica “ameaçadora”. O fato foi levado à Justiça e o blog obrigado a retirar a resenha do ar.

A decisão judicial torna-se clara a utopia existente no termo “liberdade de expressão”. Citar nomes de estabelecimentos pode ser considerada uma atitude um tanto quanto ousada, mas ainda sim compreensível, já que o autor demonstrava a insatisfação com o atendimento que recebeu. Coagir o blogueiro a excluir o post não seria uma posição correta. Tal acontecimento descaracteriza a ferramenta, já que a maior peculiaridade do blog é justamente a liberdade que ele oferece.

Aceitar as críticas e utilizá-las como subsídios para a melhora é uma atitude sábia. Muito ganharia o autor da resenha, dono do bar e consumidores se o comentário de Jonas Steinmayer transmitisse uma mensagem de otimismo, profissionalismo e seriedade. Grande seria o avanço se ele utilizasse a frase: “Agradecemos as críticas. Medidas estão sendo tomadas para repararmos estes transtornos”, ao invés de “estamos tomando as devidas providências em relação a esse blog”.

(*) Texto produzido como atividade avaliativa da disciplina de Jornalismo Online e Novas Tecnologias, ministrada pelo professor José Marcos Taveira.

03 outubro 2009

Marcelo Tas no UniToledo: um sucesso!

Os alunos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Sistemas de Informação, Ciências Contábeis e Design de Interiores do Centro Universitário Toledo participaram de uma rica palestra com Marcelo Tas, no auditório da instituição, na sexta-feira, dia 2.

Dinâmico e humilde, o apresentador do Programa CQC, da Band, falou sobre a importância da criatividade na era digital.

Antes da palestra, tive a oportunidade de participar da coletiva, representando a TV Toledo. Logo em seguida Tas concedeu uma entrevista exclusiva à TV da instituição.

Sem dúvidas, a intelectualidade de Marcelo Tas contribuiu, e muito, com a nossa formação acadêmica e profissional.

Foi muito bom!

Parabéns, Marcelo Tas! Parabéns, UniToledo!

Acompanhe as fotos:


Na coletiva


Exclusiva para a TV Toledo


Equipe da TV Toledo com Marcelo Tas


No auditório, durante a palestra

Para completar minha alegria, vejo que o Marcelo Tas respondeu o meu recado no Twitter!

OBRIGADA, MARCELO TAS!