13 junho 2009

As riquezas do Jornalismo

Quando iniciei meus estudos no Ensino Superior, em 2007, a visão que eu tinha do Jornalismo era muito superficial. Acredito que as dúvidas dos meus companheiros de turma também eram muitas. Naquele momento, tornou-se imprescindível saber o que realmente seria o Jornalismo, os fatores positivos e negativos. A partir dos novos conhecimentos adquiridos, todos estariam aptos a tomar uma decisão: prosseguir ou desistir.

Lembro-me que as primeiras orientações refletiram em torno do “papel” que exerce o jornalista. Não só as suas funções enquanto profissional, mas a importância dele para a sociedade. O impacto - positivo ou negativo - que ele é capaz de causar. O “peso” que tem o seu trabalho.

Também foram citadas às más remunerações que recebem estes comunicadores, o perigo que muitos enfrentam diariamente ao realizar uma cobertura, o estresse por viver em uma constante contagem regressiva, a fria pressão, enfim, o “preço” que milhões de profissionais - espalhados em todo o mundo - pagam por querer ser JORNALISTA.

Acredito que essas informações assustaram aqueles que escolheram o curso pelo “status” que “aparentemente” o Jornalismo proporciona. Afinal, antes de conhecer os pontos negativos da profissão, parecia tudo muito lindo. Tudo perfeito.

E muitos logo desistiram da caminhada...

No entanto, o mesmo Jornalismo que assusta também tem o poder de cativar. A angústia pode ser transformada em paixão. Basta se esforçar, basta buscar. Basta sonhar com um mundo melhor e agir para que isto aconteça.

Deve-se colocar em mente que a maior riqueza do jornalismo não está ligada à economia. A satisfação do jornalista se refere à contribuição social. Por meio do seu trabalho, algo novo, e benéfico, pode acontecer. É possível romper barreiras. É possível alcançar uma outra realidade.

No domingo, dia 31/05, assisti, no Fantástico, a reportagem Meninas do Brasil. Acredito que todos os telespectadores ficaram indignados com o que viram: uma mulher negociando a venda da própria filha, de 17 anos, por quatro cervejas e R$ 500,00. As gravações foram feitas com uma câmera escondida, na cidade de Portel (PA).

O repórter teve uma atitude ousada quando decidiu simular a compra. Mas, digna de reconhecimento.

Ele mostrou interesse em “comprar” a menor, dialogou com a mãe, ofertou, e conseguiu registrar a facilidade com que a prostituição acontece naquela região.

Graças ao bom trabalho jornalístico, as providências foram tomadas dois dias depois. Edina dos Santos Balieiro foi presa pela Polícia do Pará e, de acordo com a lei brasileira, ela pode pegar até 14 anos de prisão por exploração sexual e venda da filha.


Agora, imagine quantas jovens serão poupadas depois da veiculação dessa reportagem...

* A maior riqueza que o jornalista pode receber não é o dinheiro – até mesmo porque a profissão não valoriza tanto este aspecto. A maior riqueza do jornalista é aquela sensação de que “valeu a pena”!

ACOMPANHE O DIÁLOGO DO REPÓRTER E A MÃE DA MENOR (Fonte: G1):

Repórter - “Quer alguma coisa aí?”
Mãe - “Deixa quatro cervejas aí pra mim beber..”
Repórter - “Quantas?”
Mãe - “Quatro.”

A menina acompanha tudo de perto sem interferir.

“Você acha que eu vou dar minha filha por R$ 10, é ?”, diz a mãe, pegando os R$ 10 da mão do suposto cliente. “É louco, é ?”, diz ela enquanto amassa o dinheiro com a mão e guarda.

Apesar do que diz, a mãe fica, sim, com o dinheiro para comprar as cervejas. E a menina chega a entrar num táxi. O repórter revela então que não vai haver programa. E a jovem é levada de volta pra casa.

No dia seguinte, a reportagem voltou ao bar e simulou interesse não apenas em um programa mas em comprar a jovem. O repórter deixa claras suas supostas intenções: levar a moça, e fazer com ela o que quiser.

Antes do acerto, a mãe faz uma única exigência: “Pode viajar. Pode ir. Ela... só quero um número de telefone pra ligar. Ela me ligar.”

No dia seguinte, Edina fala qual é o preço para entregar a filha:

Repórter - “Aquela nossa conversa tá de pé, não tá?”
Mãe - “Tá.”
Repórter - “A senhora falou pra ela e ela falou o que?”
Mãe - “Eu tenho coragem de ir, mamãe.”
Repórter - “Ela tem coragem?”
Mãe - “Tem. Chega lá, fala: ‘Vim te buscar pra gente viajar.’”
Repórter - “Mas quanto? quinhentos, mil, duzentos?
Mãe - “Ah, não sei... cê que sabe.”
Repórter - “R$ 500?”
Mãe - “Talvez , né? Tou ouvindo ... cê que sabe.”

Na hora de fechar a negociação da compra da jovem, Edina define o preço da filha:

Repórter - “A senhora acha que quanto fica bom pra senhora?”
Mãe - “Aquilo que cê tinha me falado da outra vez.”
Repórter - “Quanto?”
Mãe - “O que cê me falou tá bom.”
Repórter - “Quanto? R$ 500?”
Mãe - “R$ 500 tá bom pra mim.”
Repórter - “R$ 500, né?”
Mãe - “É.”

A reportagem não chega a concretizar o negócio e diz a Edina que voltaria com o pagamento depois.

3 comentários:

Rafael Lopes disse...

Bom, meu comentário deu errado aquela hora. auhauha


Agora, esqueci o que havia dito. Por isso, deixo que seu texto fale por si próprio.

Argumentou tudo com muita clareza.

Parabéns

bjao

Lívia disse...

Não tem muito oq falar..é tipo de coisa que me deixa perplexa e indignada com a raça humana. Porque com certeza essa "mãe", não é a unica que faz isso com uma filha...com crtza, existem centenas iguais a ela..não tem miséria no mundo que justique uma coisa dessas. Mas quem somos nós pra julgar alguém né?

Diuân Feltrin disse...

Texto riquíssimo amiga!
Parabéns! Grande futura jornalista!