04 novembro 2008

Sugestão de Leitura II

De uma simples nota a um surpreendente jornalismo

A riqueza de detalhes e as descrições minuciosas de lugares, gestos, objetos, traços físicos e psicológicos das personagens, roupas, pensamentos e comportamentos, fizeram de “A Sangue Frio” um dos mais reconhecidos livros-reportagens da História.

Nele, Truman Capote traz, através de uma linguagem simples e direta, os desdobramentos de um acontecimento real: o assassinato dos quatro membros da admirada família Clutter, na cidade de Holcomb, no Estado norte-amaricano de Kansas, em 1959.

O livro, editado pela Companhia das Letras, está em sua 5ª reimpressão, possui 440 páginas, e é referência quando o assunto é o surgimento de um novo gênero: o new journalism.

A obra é fruto da ousadia e comprometimento de Truman Capote, que ao ler no jornal uma pequena nota sobre o crime, decidiu apurar os fatos de uma maneira aprofundada.

Durante seis anos, o escritor se dedicou em investigar. Ele coletou informações mantendo contato com conhecidos, testemunhas e, inclusive, com os próprios assassinos para a obtenção de aspectos importantes para a estrutura da reportagem. Capote apresentou, de uma maneira diferenciada, um jornalismo capaz de sensibilizar e estabelecer uma aproximação entre o leitor e os fatos, colocando em discussão o tabu da pena de morte e a adrenalina de um mistério.

A repercussão não poderia ser diferente: um verdadeiro sucesso! O texto ganhou espaço em quatro capítulos na revista The New Yorker, e em 1966, destacou-se no mercado editorial, agora como livro-reportagem, ficando conhecido em todo o mundo. Mais tarde, ganhou também prestígio no cinema.

“A Sangue Frio” sugere o rompimento do jornalismo comum adotado na época. O autor dá um passo importante para a renovação, fato que é facilmente observado através de uma narração objetiva, mas também amplamente literária, capaz de provocar emoções e contradizer as regras jornalísticas até então utilizadas.

O livro “A Sangue Frio”, de Truman Capote, tornou-se um ícone do jornalismo literário, um novo gênero jornalístico, atrativo para adolescentes e adultos, que surge com a evidente aproximação entre a realidade e a literatura, caracterizados pela mistura de sentidos, descrições determinantes e uma maneira peculiar de narrar.

(*) Resenha produzida como atividade avaliativa da disciplina de Técnicas de Redação II.

Um comentário:

Diuân Feltrin disse...

Belíssimo texto Angélica!
Eu li esse livro e tb o recomendo!
Muito bom!!!!